Tema do setor radiofarmacêutico destaca limitações no envio de insumos da Medicina Nuclear.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) abriu, em 15 de dezembro, em sua sede em Viena, a quinta reunião do Grupo de Trabalho sobre Negação de Embarque (Fifth Meeting of the Denial of Shipment Working Group), que conta com a participação da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN). A programação segue até o dia 19 e reúne especialistas para revisar o andamento das tratativas e consolidar conclusões dos subgrupos.
A questão da negação de embarque de radiofármacos envolve situações em que transportadoras, aeroportos ou autoridades recusam o envio de materiais radioativos mesmo quando todos os requisitos legais estão atendidos. No Brasil e em outros países, episódios desse tipo afetam diretamente a Medicina Nuclear, cuja rotina depende de prazos rígidos de transporte devido à meia-vida curta dos radiofármacos.
No 1° dia do evento da AIEA, a Presidente da SBMN, Dra. Elba Etchebehere, contribuiu com a apresentação “Denial of Shipment: a Perspective from the Brazilian Society of Nuclear Medicine and Molecular Imaging”. Em sua fala, comentou como os obstáculos logísticos interferem na operação de serviços de medicina nuclear no país e prejudicam milhares de pacientes. “Esperamos que, ao trazermos essa realidade ao debate internacional, ajudaremos a construir modelos funcionais e ágeis de transporte de radiofármacos”, afirmou.
Durante o painel, a representante da SBMN detalhou como recusas no transporte comprometem o fluxo de materiais usados em diagnóstico e terapias, participando da etapa inicial dedicada a reunir múltiplas visões antes da elaboração do relatório final. Esse documento deve registrar o estágio das iniciativas em desenvolvimento.
A dirigente também agradeceu o convite da AIEA e ressaltou a relevância do intercâmbio técnico. “Ficamos gratos pela oportunidade de compartilhar a experiência brasileira e de colaborar com um grupo tão qualificado”, disse Etchebehere.
Além da atuação internacional, a SBMN mantém diálogo contínuo com autoridades brasileiras para qualificar a logística desses insumos. Em abril, a entidade foi recebida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ocasião em que reforçou a necessidade de procedimentos eficientes e parâmetros claros para o manuseio e o envio de cargas radiofarmacêuticas.