Documento contribui para debates internacionais sobre a recusa no transporte de radiofármacos.
A Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN) encaminhou, em 26 de janeiro, um relatório técnico à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), voltado à página de perguntas frequentes do Global Nuclear Safety and Security Network. A iniciativa teve como foco central a discussão sobre o Denial of Shipment (DoS), fenômeno que envolve a recusa, por parte de companhias aéreas e operadores logísticos, de transportar materiais radioativos utilizados em contextos médicos.
O documento reúne análises relacionadas à prática clínica da Medicina Nuclear, sobretudo focando nos impactos e danos à saúde da população decorrentes da negativa de embarque de radiofármacos. Em muitos casos, esse impedimento ocorre mesmo quando todas as exigências técnicas, regulatórias e de segurança são cumpridas, prejudicando diretamente o funcionamento dos serviços de medicina Nuclear e o acesso de pacientes a exames e terapias.
A proposta insere-se no contexto de cooperação internacional promovido pela AIEA e busca qualificar, do ponto de vista informativo e conceitual, os conteúdos disponibilizados pela rede global. A contribuição brasileira reflete a experiência acumulada dos serviços de Medicina Nuclear no país, considerando referenciais normativos e operacionais adotados nacionalmente, além das especificidades logísticas de um território extenso e de forte dependência do transporte aéreo.
A temática esteve no centro da quinta reunião do Denial of Shipment Working Group, realizada pela AIEA entre 15 e 19 de dezembro, em sua sede, em Viena. O encontro reuniu representantes institucionais de diferentes países para o intercâmbio de perspectivas sobre o transporte internacional seguro de materiais radioativos empregados na área médica.Na ocasião, a presidente da SBMN, Dra. Elba Etchebehere apresentou a exposição “Denial of Shipment: a Perspective from the Brazilian Society of Nuclear Medicine and Molecular Imaging”, que abordava a organização logística dos serviços de Medicina Nuclear no Brasil e a relevância do transporte regular de radiofármacos para a manutenção da assistência em diferentes regiões do país.