São Paulo, 15 de setembro de 2021

 

 

Ofício SBMN nº 01/2021  
 

Assunto: Desabastecimento de Insumos Radioativos para a Medicina Nuclear Brasileira

 

A Medicina Nuclear brasileira, uma especialidade médica que se utiliza de pequenas doses de material radioativo para a realização de exames e tratamentos em pacientes está sofrendo uma grave crise de desabastecimento.

            Pacientes com problemas de saúde importantes, como diversos tipos de câncer, doenças do coração (como isquemia ou infarto), embolia pulmonar (que teve importante aumento de incidência em tempos de COVID) e outras condições clínicas podem ter seus diagnósticos atrasados e os tratamentos de alguns tipos de cânceres (como próstata, tireoide e neuroendócrino) INTERROMPIDOS em virtude do que ocorre atualmente no Brasil, pois dependem de procedimentos de medicina nuclear para isso.

            O Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (IPEN), que já vem sofrendo, de forma recorrente e há alguns anos, com cortes de verbas e problemas na produção de alguns fármacos importantes para a Medicina Nuclear, fármacos que são produzidos exclusivamente pelo IPEN, anunciou, no dia 14/09/2021 (coincidentemente, a data de celebração do Dia do Médico Nuclear no Brasil) que, a partir do dia 20/09/2021 terá a produção SUSPENSA de todos os fármacos e de isótopos radioativos (Geradores de Tecnécio, Iodo-131, Lutécio-177, para citar alguns) por falta de verbas.

            A suspensão anunciada causará importantes danos à sociedade como um todo, seja em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde, que representam importante parcela dos indivíduos que se beneficiam da energia nuclear em prol de seus diagnósticos e tratamentos, como em pacientes do Sistema de Saúde Suplementar, que encontram na Medicina Nuclear uma ampla gama de procedimentos modificadores de história natural de doenças, seja por permitir diagnósticos mais precisos, seja por sugerir procedimentos cirúrgicos necessários ou então por permitir que pacientes com diversos tipos de câncer recebam tratamentos personalizados e otimizados, que tem impacto positivo significativo nas qualidade de vida e sobrevida destes pacientes.

            Desta forma, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), aqui representada por seu presidente, Dr. George Coura Filho, imbuída de seu objetivo maior, que é a defesa da especialidade com olhos para a população, solicita a máxima atenção aos fatos descritos e entende que ações solidárias de representatividade junto de órgãos federais e estaduais (especialmente no Estado de São Paulo, onde o IPEN está sediado) podem mitigar os danos potenciais.

            Em nota, o IPEN anunciou que depende da liberação de verbas orçamentárias extraordinárias para a retomada de seu funcionamento, dependendo da aprovação do Projeto de Lei do Congresso Nacional n°16, de 2021. Até que isto seja aprovado, a Medicina Nuclear brasileira fica de mãos atadas, e os pacientes, sem seus devidos procedimentos médicos. Desta forma, seu engajamento terá significativo resultado caso consigamos reverter o quadro descrito.

https://sbmn.org.br/wp-content/uploads/2021/09/Ofício-SBMN-nº-01-2021-15092021.pdf

            Obrigado.

Dr. George B. Coura Filho

Presidente SBMN

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