Demoras e recusas de embarque comprometem o acesso a procedimentos diagnósticos e terapêuticos de Medicina Nuclear.
De 23 a 27 de março, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN), representada pela Presidente, Dra. Elba Etchebehere, participou da International Conference on the Safe and Secure Transport of Nuclear and Radioactive Material, promovida pela AIEA. Em Viena, a entidade foi convidada a ministrar aula e integrar sessão plenária Sustainable Supply Chain for Radiopharmaceuticals. O foco foi discutir as consequências, tanto para os pacientes quanto para todo o sistema de saúde, de atrasos ou recusas no envio de radiofármacos — situações que acontecem quando companhias aéreas ou operadores logísticos deixam de transportar radiofármacos destinados à Medicina Nuclear.
Dados da AIEA apontam que cerca de 20 milhões de remessas nucleares e radioativas circulam anualmente no mundo, voltadas a usos pacíficos em setores como energia, saúde, educação, agricultura e indústria. Nesse cenário, a confiabilidade e a agilidade das operações são consideradas fatores críticos.
A agenda do encontro reuniu reguladores, gestores públicos, representantes do setor produtivo, operadores e especialistas das áreas técnica e jurídica, além de organismos internacionais e autoridades de controle. O evento contou ainda com organizações da sociedade civil, instituições de ensino e associações científicas, dedicadas à análise de gargalos nas cadeias logísticas desses insumos.
A presença da SBMN na plenária da AIEA se deu após contribuições recentes ao tema em fóruns internacionais. Em dezembro de 2025, a Sociedade integrou a quinta reunião de um grupo de trabalho sobre o assunto. Na ocasião, a Dra. Elba Etchebehere apresentou a exposição “Denial of Shipment: a Perspective from the Brazilian Society of Nuclear Medicine and Molecular Imaging”, com avaliação dos desafios logísticos enfrentados por serviços da área no país.
Em janeiro de 2026, a SBMN também encaminhou contribuição técnica à seção de perguntas frequentes do Global Nuclear Safety and Security Network. O material reuniu observações da prática clínica brasileira e examinou impactos decorrentes da recusa no transporte de radiofármacos, inclusive em casos nos quais exigências regulatórias e protocolos de segurança são plenamente atendidos.
Desta vez, a participação brasileira no encontro em Viena projetou a experiência nacional e internacional no debate sobre logística e acesso a tecnologias de medicina nuclear. “A realidade dos serviços de Medicina Nuclear no Brasil e em outros países no mundo mostra como barreiras no transporte de radiofármacos afetam diretamente o atendimento de milhares de pacientes. Agradecemos o convite da AIEA e a oportunidade de participar do debate globall”, afirmou a Dra. Elba Etchebehere.