Comunicado SBMN nº 04/2021

São Paulo, 22 de fevereiro de 2021

Assunto: posicionamento da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) sobre vacinação contra SARS-COV-2 em pacientes submetidos a tratamento com radionuclídeos

 

A Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) vem a público formalizar suas orientações em relação à vacinação contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) em pacientes em tratamento com radionuclídeos.  No intuito de facilitar o entendimento deste documento, o construímos no formato de perguntas e respostas.

1- Pacientes em tratamento com radionuclídeos devem fazer uso da vacina? 

Na vasta maioria das vezes, SIM. Do ponto de vista de segurança, não existem relatos em literatura desse segmento de população, mas entendemos que os riscos são os mesmos da população geral, uma vez que a maioria dos tratamentos com radionuclídeos não envolve redução expressiva da imunidade dos pacientes. Nos casos de pacientes com doenças oncológicas avançadas, já submetidos a várias linhas de tratamento e com sinais de disfunção medular, os riscos devem ser pesados frente aos benefícios.

Vale ressaltar que no momento da elaboração deste documento as duas vacinas disponibilizadas em território brasileiro usam vírus não vivo/ inativado (Coronavac) ou formas não replicantes (Oxford), que mitigam os riscos aos usuários. Gostaríamos ainda de trazer o entendimento da Sociedade Brasileira de Oncologia, que publicou sua orientação favorável ao uso de vacinas em pacientes oncológicos em tratamento, levando em consideração a maior mortalidade deste grupo frente à infecção viral quando comparado com a população geral (26% versus 3%, respectivamente).

No presente momento, as recomendações gerais são para se evitar vacinar pacientes com menos de 18 anos de idade, gestantes e aqueles com hipersensibilidade a um dos componentes da fórmula vacinal.

 

2- Pacientes em tratamento com radionuclídeos devem ser vacinados no grupo prioritário/ entendidos como grupo de risco? 

 

Pelo exclusivo uso prévio ou intenção de uso de molécula radioativa, NÃO. Depende da doença de base, status clínico do doente e essa definição pode ser elencada pelo médico nuclear que cuida do caso. Pacientes com cânceres avançados podem sim serem considerados de risco, mas em pacientes com hipertireoidismo ou cânceres de tireoide de baixo risco, não.

 

3- Existe alguma situação em que a vacinação deva ser postergada?

Pacientes em imunossupressão, seja por sua situação clínica de base, seja por uso de doses altas de radiação, podem, se assim entendido por seus médicos assistentes, postergar a vacinação. No caso de eventual aprovação no Brasil de alguma vacina com vírus atenuado, esta modalidade deve ser preterida em pacientes imunosupressos.

 

4- Pacientes em tratamentos combinados devem ter uma avaliação especial? 

 

SIM. Porque a associação de drogas (principalmente quimioterápicos ou imunoterápicos) a radiação pode gerar respostas potencializadas, de modo que a decisão deve ser baseada no entendimentos dos profissionais envolvidos no caso, das drogas em uso, bem como juntamente com as orientações de suas entidades de classe.

Para mais informações sobre recomendações do uso de vacinas em pacientes oncológicos, sugerimos visitar a página da SBOC: https://coronavirus.sboc.org.br/coronavirus/images/vacinacao_covid.pdf

Para mais informações sobre recomendações do uso de vacinas em pacientes com doenças da tireoide, sugerimos visitar a página da SBEM: https://www.endocrino.org.br/media/posicionamento_sbem__vacinacao_contra_sars-cov-2_em_pacientes_com_tireoide_final_2.pdf

 

Atenciosamente,

Dr. George B. Coura Filho – Presidente SBMN

Dra. Adelina Sanches – 2ª Tesoureira

 

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