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NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA NUCLEAR E IMAGEM MOLECULAR

Actínio-225: a Medicina Nuclear no tratamento do câncer

A Medicina Nuclear é uma especialidade médica que utiliza pequenas quantidades de substâncias radioativas, chamadas radiofármacos, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento de doenças. Entre os radionuclídeos usados ou estudados para fins terapêuticos está o actínio-225 (Ac-225), que vem ganhando relevância no tratamento de determinados tipos de câncer.

O Ac-225 é um radionuclídeo emissor de partículas alfa. Essas partículas têm alcance extremamente curto nos tecidos, característica particularmente interessante para a Medicina Nuclear terapêutica, pois, quando o radionuclídeo é ligado a uma molécula capaz de reconhecer um alvo presente nas células tumorais, torna-se possível levar a radiação preferencialmente até o local da doença, buscando destruir as células cancerígenas e reduzir a exposição dos tecidos sadios.

Uma das aplicações em desenvolvimento e utilização clínica em centros especializados envolve moléculas direcionadas ao PSMA, proteína encontrada em grande quantidade em muitas células do câncer de próstata. Dessa forma, o radiofármaco funciona como um sistema de entrega direcionada. A molécula reconhece o alvo tumoral e transporta o radionuclídeo até ele, onde a radiação exerce sua ação terapêutica. Essa estratégia integra um dos campos mais promissores da Medicina Nuclear moderna, conhecido como teranóstico, no qual características moleculares da doença podem tanto identificá-la por meio de exames de imagem quanto direcionar seu tratamento.

É importante destacar que a palavra “radioativo” não deve ser compreendida, isoladamente, como sinônimo de perigo. Na Medicina Nuclear, a radiação é uma ferramenta médica empregada de maneira planejada e controlada, sob rigorosos protocolos de segurança e proteção radiológica. Radiofármacos são administrados em atividades definidas de acordo com sua finalidade e seu uso ocorre sob responsabilidade de equipes especializadas.

No caso das partículas alfa emitidas pelo Ac-225, seu poder de penetração externa é muito baixo. Elas percorrem distâncias muito pequenas e podem ser bloqueadas por barreiras simples. Os cuidados tornam-se indispensáveis para evitar que materiais radioativos sejam manipulados indevidamente ou incorporados ao organismo por ingestão ou inalação. Por esse motivo, seu armazenamento, manipulação e transporte obedecem a normas específicas de segurança.

Sobre o episódio ocorrido em São Paulo neste mês de outubro de 2026, o material contendo Ac-225, para o tratamento de um paciente com câncer, havia sido extraviado após o roubo do veículo responsável pelo transporte. O volume foi posteriormente localizado em um terreno na Zona Leste da capital.

Segundo informações divulgadas pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), a embalagem foi encontrada íntegra e sem sinais de violação. Após a identificação, o material foi recolhido e encaminhado para local seguro, permanecendo sob custódia para as avaliações técnicas pertinentes.

A Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular ressalta que episódios como esse devem ser tratados com responsabilidade, conforme os protocolos estabelecidos pelas autoridades competentes. Ao mesmo tempo, é necessário evitar que uma ocorrência excepcional gere uma percepção equivocada sobre a segurança da Medicina Nuclear e das radiações para fins médicos.

Por fim, a SBMN lamenta especialmente o impacto da ocorrência sobre o paciente que aguardava o radiofármaco. Um material produzido, preparado e transportado com a finalidade de tratar o câncer não chegou a seu destino no momento previsto, levando à interrupção da terapia programada. Garantir uma cadeia de transporte segura significa proteger a população e assegurar que tecnologias capazes de contribuir para o tratamento do câncer cheguem aos pacientes que delas necessitam, com segurança e no tempo adequado.

Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular – SBMN

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