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Novembro Azul: a importância da Medicina Nuclear na detecção e tratamento do câncer de próstata

Novembro Azul: a importância da Medicina Nuclear na detecção e tratamento do câncer de próstata

Os números são alarmantes: para cada ano do biênio 2018-2019, o INCA estima 68.220 novos casos de câncer de próstata, o segundo mais incidente entre os homens brasileiros. O rastreamento e a detecção precoce deste tipo de câncer são peças-chave para um tratamento mais assertivo e com mais chances de cura – nesse sentido, a Medicina Nuclear tem um papel fundamental.

A Medicina Nuclear ainda é um ramo pouco conhecido por uma parcela significativa da população, mas é uma especialidade que oferece exames e tratamentos inovadores por meio de substâncias radioativas, conhecidas por radiofármacos. “As tecnologias utilizadas por médicos nucleares são consideradas muito revolucionárias em relação a diagnóstico e tratamento. Além de nos oferecerem mais precisão na detecção desse tipo de câncer, com potencial de garantir mais tempo e qualidade de vida aos pacientes”,  afirma o Dr. Juliano Cerci, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).

Uma das principais ferramentas nucleares para combater o câncer de próstata tem um nome complicado, mas uma finalidade bastante certeira: o exame PET/CT com PSMA é capaz de localizar células cancerígenas de tumores provenientes da próstata já se espalharam para outras partes do corpo. “O procedimento utiliza uma substância radioativa que se liga ma proteína da superfície encontrada em células metastáticas e permite identificar com extrema precisão se as células de um câncer de próstata avançaram para outras partes do corpo. O exame é revolucionário e permite abordagens individualizadas da doença”, explica Juliano.

O termo radioativo pode, em um primeiro contato movido pelo senso comum, parecer assustador, mas trata-se de substâncias completamente seguras. “Os isótopos radioativos utilizados no exame estão em concentrações que não oferecem malefícios ao paciente. No exame, a radiação é detectada por um equipamento conhecido como PET/CT, um dos principais avanços da medicina nuclear. O elemento radioativo faz com que os focos de câncer brilhem e facilita o diagnóstico de metástases que, por outros métodos, não seriam identificadas”.

Outra ferramenta importante e eficaz é o tratamento com Rádio-223, voltado para o câncer de próstata metastático, o estágio mais avançado da doença. O tratamento consiste em imitar o cálcio presente nos ossos, já que uma das metástases mais comuns desse tipo de câncer é a óssea. “O radiofármaco é absorvido pela estrutura óssea e, ao se aproximar das células metastáticas, emite uma dose direcionada de radiação, matando as células do câncer”, comenta o presidente da SBMN.

A modernidade dos exames e tratamentos nucleares trazem avanços terapêuticos importantes e auxiliam na jornada do paciente que luta contra o câncer de próstata, porém os tratamentos ainda não são disponibilizados pelo SUS. “As técnicas utilizadas nesse ramo da medicina dão mais confiabilidade aos tratamentos propostos, muitas vezes evitando procedimentos invasivos desnecessários e dolorosos, mas ainda assim, muitos pacientes morrem por conta de diagnóstico tardio. Por isso, a conscientização e esclarecimentos sobre a doença são essenciais”, conclui Juliano.